Aquela noite deveria ter sido de festança, alegria e risos...

Eu adormeci profundamente, no mais sombrio sonho, sonhei que acordava em um local desconhecido, onde figurantes que não gostavam de mim, fingiam ter uma cordialidade verdadeira. Existia um ser naquele local, que prendia minha existência ali... O mesmo ser perfeito que suga minha fonte de vida, que me faz entrar em desespero pelo o anseio de um beijo ter. Seus lábios aclamavam por meu nome... O perfume do seu corpo embriagava-me, eu entrei em um delírio constante. Eu necessitava ouvir mais uma vez sua tremula voz tímida, mesmo que fosse pela última vez.

Uma enorme nuvem negra carregada de emoções negativas sobre minha cabeça pousava, a culpa de amar profundamente aquele belo rapaz, me atordoava. Nada pude fazer além de trancafiar-se dentro de mim. Nenhuma palavra por mim era dita, nem um sorriso por mim era tido, mesmo quando eu via seus olhos olhando em direção dos meus. Até o degustar do mais doce vinho, tornou-se amargo em meu paladar...

Durante as quentes tardes deste verão, sonhava acordada com aquele rapaz, cuja sua identidade manterei em segredo eterno, nada podia conter minha ansiedade ao encontra-lo em meus sonhos e nesta triste noite, rezei para acordar... Rezei por ele desaparecer de minha vista, quis descartá-lo de minha vida, da minha imaginação. Todas as noites ele vem perturbar meu sono, chamando por meu nome, deixando-me atormentada, pois a única coisa que posso fazer é olhar-lhe profundamente. E sei que não posso amá-lo... 

Eu não podia tocá-lo, não podia falar de meus sentimentos, mesmo que quisesse... Passei longos minutos apenas contemplando sua extrema beleza, a lua estava a admirar junto comigo seu perfeito sorriso, o som das folhas que no chão estava, dançava uma sublime música em sua homenagem. Moço dos meus tristes sonhos solitários, deixa-me mais uma vez admirar seus lindos tristes olhos castanhos, antes de partir para nunca mais retornar... Eu ainda estarei em silêncio a pensar em ti, mesmo que isso condene minha pobre alma. 

"Como pode alguém sonhar o que é impossível saber? Não te dizer o que eu penso, já é pensar em dizer. (...) Não sei mais, sinto que é como sonhar, que o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer. "

Até não muito tempo atrás, tu não eras mais que um simples homem para meus olhos, qualquer um que estava a vagar, sem peso emocional sobre mim. Por motivos desconhecidos você atraiu meu simplório ser. Com seus cabelos que dançam no embalo do vento, sua pele macia e queimada pelo o ardor do sol... Sua voz um pouco tímida, seu jeito gentil de me cumprimentar... Com o tempo sentir meu coração acelerar quando estavas por perto. Difícil sentir isso nas condições que me encontro, quando olho em teus olhos sinto que há um grande abismo que me puxa para dentro dele, que suga todas as minhas forças e faz-me delirar no sonho inalcançável de um beijo teu ter. Quando meu olhar se encontra com o teu, desvio. Pois, não sei por quanto tempo conseguirei te olhar tão profundamente, sem que desejos venham aflorar em minha mente, em minha pele... Há um mistério por trás dos seus lindos olhos tristes que me encanta perdidamente, que me faz querer desvendar completamente seu ser. Que me faz querer está perto de ti, para poder por apenas um segundo te fazer sorrir. Não existe nesta terra onde o ar respiro, outro moço mais gentil e dócil que vossa pessoa. É tamanha sua perfeição, que enfeitiçou-me, que me encantou ao longo do tempo, que roubou meu coração e me faz cair em prantos ao está distante de ti, meu belo rapaz...
Oh, onde estais tu belo cavalheiro? Se não em meus tristes sonhos que tenho que despedir-me de ti a cada despertar do sol...

Quando sou vencida pela a imaginação, meus lábios dizem teu nome.
Sinto acelerar meu coração, em um silêncio que nunca morre.  (Luany de Macedo, Janeiro de 2008.)


Estou diante de quatro paredes lilás, tem uma enorme janela ao lado, que permite a entrada dos primeiros raios de sol dessa fria manhã, meus olhos ardem de mais uma noite não dormida, há um cinzeiro ao meu lado com alguns restos de cigarros, uma xícara com um pouco de café não degustado e algumas folhas rabiscadas, a música já parou de tocar há algumas horas e o único som que ouço, é o da caneta ao escrever essas linhas mal escritas. Estou vivendo sentimentos e emoções desconhecidas até então, não saberia descrever como tudo começou, só sei que hoje vivo na mais pura dor e agonia, se pudesse voltar atrás e reparar todo o mal de um inicio errante, certamente já teria feito. Estou trancada dentro de um baú de velharias, onde nada muda e nada se transforma. A história se repete sempre, por vários e longos dias...
Olho-me no espelho e nada vejo se não o inicio de um corpo cadavérico com olhos tristes e sorrisos sem graça, uma verdadeira zumbi, sem vida! O sol já não me aquece, as cores já não me alegram, as flores já não me apaixonam e vejo um fim trágico e não muito distante.
Eu quero está sozinha literalmente e não mais sentir a solidão de uma companhia fictícia.



"Odeio quem me rouba a solidão sem me oferecer a verdadeira companhia" (Friedrich Nietzsche)

Quem sou? Mas até onde tu sabes de ser? Eu, nada sei de ser, além do pó e das cinzas que um dia serei. E que em outro tempo tornaram-me quem sou, quem fui... Sou a transitoriedade que o tempo me dá, sou um fio de instante perdido no meio do temporal da eternidade. Difícil dizer quem sou se há em mim vários personagens. Mas isso não quer dizer, que cada um não seja um pequeno pedaço de minha alma.
Sou o oposto dos meus sonhos, sou o oposto das metáforas, sou o oposto do ponto de partida e tão pouco sou a linha de chegada. Sou o oposto do oposto! Perdida e partida num verso reverso. Sou meus desejos não realizados.
Passei até o presente momento da minha vida, marcando encontros furtivos com a felicidade. Quando ela finalmente me assalta, percebo que não tenho nenhuma moeda para dá em troca. Por isso hoje, mendigo à sorte.

Sou a sobra do que fui, sou uma simples sombra, um simples suspiro! Sou tudo o que me resta da eterna falta que sobra em mim!

Porque aquilo que me dá alegria,
Também é a grande responsável pela minha maior tristeza?
Ah, o amor! Quem pode entendê-lo?
Esse sentimento egoísta que nos torna escravos!

O beijo que une dois corpos,
Também é o mesmo que separa.
Esse sentimento que parece uma doença,
Que corroí lentamente todo meu corpo.

Como compreender o incompreensível?
Quando estou caída aos prantos,
Vens tu, motivo de toda minha ruína
E basta um simples sorriso, para tirar de mim toda tristeza.

Incomoda-me ser dependente de tuas carícias,
Sou a mais fraca de todas as donas nessa terra existente,
Pois basta teu olhar direcionado ao meu
E suas palavras doces para tudo novamente esquecer!

Esse sentimento que parece mais um vírus,
Que entra em meu corpo e destrói minhas células. Deixando-as fracas,
Ao ponto de passar por cima de qualquer amor-próprio que existe em mim,
Ah, o amor! Quem pode compreendê-lo?

Essa tristeza que me invade todos os dias,
Em sua maioria, a noite.
Parece uma grande navalha,
Que corta tudo que existe em mim.
                                                 (E assim fazendo-me sangrar)

Em alguns instantes toda fonte de alegria desaparece,
E o que me resta é apenas a solidão.
Como queria partir desse mundo
Para em outro por fim repousar.

Caminho em um bosque sombrio,
A procura de alguma luz,
Não há nenhum som, além do barulho dos meus passos
E não há nenhuma companhia, além de mim mesma.

Essa tristeza que suga toda minha força,
Parece tomar conta de mim,
Perco todas as esperanças
E desisto lentamente de existir.

Escrevo em uma tarde solitária como todas as outras, escrevo para poder conversar com meu subconsciente, escrevo para espantar os fantasmas da minha mente. Preciso me sentir viva de alguma forma, preciso liberar toda essa carga negativa de minhas emoções, preciso desabafar porque senão enlouqueço.
Preciso descrever com detalhes minhas angustias e felicidades, para não esquecer mais delas. Minhas historias de amor, ilusão, tristeza, alegria... sempre tão narradas. Será que eu necessito expor tudo isso em um papel porque não tenho com quem conversar além das quatro paredes do meu quarto?
Ando fraca. Com a cabeça perdida sem um lugar pra repousar, ando em busca de paz para minha mente... Mas o sonho de finalmente repousar esta cada vez mais distante. Talvez eu não seja uma boa companhia para ninguém, já que eu me sinto entediada facilmente quando estou só, e isso prova o que eu já venho dito sobre eu ser minha melhor e pior companhia...
Sinto que estou perdendo o gosto pela as coisas, que estou cada vez mais nostálgica, apática e até mesmo misantrópica. A luta que venho tendo com minha própria mente está me deixando frágil. Percebo que não consigo enfrentar minha distimia e vejo o quão longo minhas noites são. Enquanto toda a cidade está dormindo no meio da madrugada, cá estou eu, remoendo e lutando comigo mesma.
Perco-me dentro de meus pensamentos, dentro dos meus medos e dos meus anseios, a cada dia percebo que vou deixando um pouco do que sou, do que fui para trás e sou consumida constantemente pelo os fantasmas que me rodeiam durante o dia, a tarde, a noite e a madrugada dessa fria cidade onde caminho sozinha, sempre.
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" Eu respiro tentando encher os pulmões de vida, mas ainda é difícil deixar qualquer luz entrar... Ainda sinto por dentro toda dor dessa ferida, mas o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar... Eu queria manter cada corte em carne viva, a minha dor em eterna exposição. "

Em uma noite de pura dor e agonia,

Em mais uma noite como todas as outras...

Rasgando minha pele, como quem rasga um papel

Definhando minha carne, como quem se despede da vida.

Essa estranha sensação de não ter mais vida.

De esta sendo sugada a cada minuto,

Estou vivendo dias negros,

Sem luz, sem cor... Sem vida!

Oh vida, o que estais fazendo comigo?

Vida, maldita ironia!

Carrega-me logo de uma vez,

Pra onde queres me levar...

(Hoje, só por hoje, desisto de caminhar!)

Hoje, é mais um dia. Apenas mais um...

É mais um dia nublado sobre a companhia de café e cigarros.

Não há nada,

Mas nada...

.

Hoje é um dia cortante,

Que me entristece a cada passar de segundos,

Mais um aonde eu quase chego ao fim,

No fim de uma trajetória.

.

Hoje, é mais uma luta com minha própria mente.

É mais um dia de promessas não cumpridas, mais um dia sangrento.

É mais um dia de questionamentos.

É mais um dia sozinha, na companhia apenas de mim mesma.

.

"Ando tão a flor da pele

minha vontade se confude com a vontade de não ser

Ando tão a flor da pele que minha pele tem o fogo do juízo final.

[...]

Às vezes me preservo noutras, suicido!"

.

Meu bem sinta minhas mãos ao tocar sua pele...

Sinta o gosto dos meus lábios ao te beijar,

Sinta o calor de meus braços ao te abraçar,

Sinta vontade de está ao meu lado.

Sinta minha respiração acelerada em seu ouvido,

Sinta minha voz trêmula ao dizer que eu te amo...

Não me deixe sozinha,

Não me deixe mais perdida,

Não me abandone nunca mais...

Sinta toda minha tristeza, quando minhas palavras não são ditas...

Sinta toda minha dor, mesmo quando eu a escondo de você...

Quando eu for embora, não desista de mim...

Mesmo quando não houver mais circulação de sangue em minhas veias,

Mesmo que não haja mais nenhum batimento em meu coração...

Leva-te contigo, todo o meu calor.

Leva-te contigo toda minha alegria.

Leva-te contigo, todo o meu amor.

Eu sempre te amarei.

Em qualquer lugar que eu esteja,

Para todo o sempre irei te amar.