Oscilações: mau humor, agressividade, mania, alegria, solidão, apatia, hiperatividade, insônia, bom humor, raiva, euforia, distimia, isolamento, melancolia, falta de apetite, sonolência, ócio...


Parece um liquidificador. Que não para de misturar todas as coisas, causando uma enorme confusão. Ela se perde em meio a tudo isso e mergulha numa enorme batalha mental. Todo dia é uma nova batalha, e a sensação no fim da noite, quando deita sua cabeça no travesseiro, sob efeito de ansiolíticos, é sempre a mesma: Fracasso! E uma ou outra imperceptível vitória pessoal.

Ela sente todos os olhares repressores. Ouve sempre a mesma coisa: “Levante-se e faça algo!” Mas como buscar forças, quando já está tão esgotada e fatigada de tudo? As pessoas a olham como alguém “fraca” ou “frágil” o que até certo ponto pode ser verdade. Mas se ela pudesse levantar-se, certamente ela faria. Como já fez e tentou tantas outras vezes! Mas a queda é sempre maior. E isso cresce cada vez mais. A cada tentativa de erguer-se, a queda com a cara no chão sempre é mais dolorida que a anterior...
Mas eu a vejo se esforçando minuto após minuto. Indo contra a correnteza de sua mente. Mergulhando profundamente em seus questionamentos, tentando encontrar uma luz no fim do túnel, tentando encontrar algo no que se agarrar. Seja em suas leituras, seja em suas músicas favoritas, seja até mesmo em suas medicações, que já não vem ajudando-a há um bom tempo... 

Lutando contra seus ataques e surtos mentais. Revertendo quadros de ataque de pânico sem ajuda de nenhum calmante, apenas com a força de sua mente! Ora, o que mais poderia esperar de alguém que já lutou tanto contra tudo isso, a não ser o total desespero? A falta de esperança?
Muitos poderiam dizer: “Isso é frescura! Existem pessoas morrendo de doenças por aí e querendo viver!” Mas ela também tá morrendo em decorrência de uma doença. Que não é física. Mas é mental! O que torna tudo mais complicado. Pois como explicar o que não é visto? Tudo seria mais fácil se fosse uma simples febre. Uma simples virose. Um atropelamento. Qualquer acidente, qualquer doença visível. Mas não. É uma doença mental, um câncer da alma! Que poucas pessoas compreendem. E que em algumas situações a deixa sem funcionar. Como se a sua mente estivesse tendo uma espécie de curto-circuito.

Como explicar a falta de interesse em atividades, que até não muito tempo atrás eram prazerosas? Como explicar o bloqueio de emoções e sentimentos? A apatia repentina? E até mesmo, o enojamento por toques, abraços e qualquer tipo de contato físico? No mínimo, difícil! E principalmente, a falta de confiança nas pessoas...

No mais, ela faz de tudo pra melhorar seu estado mental, ao menos para alegrar aqueles que as rodeiam. Que esperam que ela seja forte, como sempre demonstrou ser. E exige de si própria uma melhora. Para que todos os gastos que os pais fazem com psiquiatras, medicações e etc, não sejam em vão. Mas a verdade é que ela já sente que é vão. E já não suporta mais viver assim. E já me confessou que o seu único desejo é por um fim nisso tudo. Quando ela olha em direção do futuro, ela não consegue ver nada. A não ser, a enorme nuvem negra que pousa sob sua cabeça. Ela ainda só não foi, pois é tão preocupada com os outros, que anula sua própria existência para suprir as expectativas alheias. Como se já não bastasse o fardo de passar por todo esse turbilhão de negatividade, por essas crises de depressão profunda e lutar contra isso minuto após minuto... Ela ainda tem que agir, pensar e colocar-se em segundo ou terceiro lugar, talvez.

Não consigo imaginar como ela consegue arrumar forças. Eu, em seu lugar, provavelmente já estaria em completo estado de insanidade. No fundo, eu a admiro. Pela sua força e sua coragem. Quisera que ela também enxergasse o mesmo, sobre si mesma.