Dizem que é ingenuidade
acreditar em amor
num tempo em que tudo se consome rápido
e nada permanece.

Mas eu insisto.
Não por romantismo,
e sim por sobrevivência.

Acredito no amor que não pede aplausos,
que não negocia afeto,
que não se oferece como vitrine.
No amor que chega sem prometer salvação
e, ainda assim, fica.

O passado tentou me endurecer.
Fez da dor uma escola severa,
da ausência um idioma cotidiano.
Aprendi a desconfiar,
aprendi a sangrar em silêncio,
aprendi a não esperar.

E mesmo assim
algo em mim se recusa a morrer.

Não é pureza.
É teimosia.
É uma espécie de fé sem igreja,
um resto de luz que sobrevive
entre ruínas.

O amor não é delicado.
Ele rasga.
Desorganiza o corpo,
embaralha a razão,
expõe as fragilidades que fingimos controlar.

Amar é um ato político.
Um gesto de insubordinação
num mundo que lucra com a indiferença.

O amor não cura tudo,
mas sustenta.
Não resolve,
mas impede o colapso total.

Se existe alguma revolução possível,
ela começa no risco de sentir
quando seria mais fácil se fechar.

E por isso eu ainda acredito.
Não apesar de tudo,
mas contra tudo.



Teu nome — cinco letras — 
3 vogais, 2 consoantes —  tatuado em mim,
Com a lembrança doce de um amor sem fim.  
Adolescente, tola, te deixei partir,  
Sem saber que o tempo não ia curar,  
Mas só fazer doer, só me fazer lembrar.

Tu foste abrigo, sonho e descoberta,  
Mas minha imaturidade era porta aberta  
Pra inseguranças, medos e distância.  
Te vi indo embora, sem coragem de gritar,  
Ficou o silêncio e um mundo pra chorar.

As cartas rasgadas, os sorrisos perdidos,  
As tardes eternas, os planos esquecidos...  
Tudo ecoa agora no vazio do meu peito.  
Amor primeiro, que eu não soube guardar,  
Que veio intenso, e tão cedo foi embora.

Hoje entendo que amar é aprendizado,  
Mas na época por não saber, te deixei ir.  
Carrego tua ausência como cicatriz,  
E toda noite, antes de me deitar,  
Teu nome, baixinho, volto a chamar.

Te amei como pude, mas não foi bastante,  
Hoje o passado é um nó sufocante.  
Teu nome — cinco letras — vive na canção  
Que canta em segredo, já no meu coração:  
Amor primeiro, amor que eu não soube amar.

Outros namorados, outras pessoas surgiram
mas em cada abraço, era o teu que eu esperava
O noivado foi um erro, um desastre velado,  
Três anos jogados fora num tempo calado.  
Alianças frias, promessas vazias,  
Dias sem brilho, noites vazias...  
Que ao teu lado seriam pura poesia.

Cada plano feito era um grito contido,  
Pois era contigo que eu queria ter ido.  
Fingindo sorrisos, eu só disfarçava  
A falta que tua ausência gritava  
Enquanto a vida em mim se desfazia.

Como fui tola em te deixar partir,  
Achando que o tempo ia me distrair.  
Mas o tempo só fez me mostrar  
Que o amor que eu tentei apagar  
Era raiz que insistia em enraizar.

Você era abrigo, era calma e calor,  
Era tudo que um dia sonhei como amor.  
Mas te deixei por orgulho, por medo, por infantilidade...  
Já se passaram tantos anos, e ainda choro tua ausência
Agora é tarde, e em mim, o degredo  
De um arrependimento que não tem fim.

Depois do fim, tentamos ser só amigos,
Mas o amor em mim batia em perigos.
Pulsava forte, em silêncio gritava,
Mas como covarde, a verdade eu calava.
E ali, calada, deixei escapar
A chance de te falar o que eu ainda sentia.

Quando o arrependimento vem, ele não sussurra,  
Ele grita, fere, corrói, segura.  
E em cada momento que não vivi contigo,  
Sinto que fui minha pior inimiga.  
E o que restou... foi só castigo.