Amar de verdade
é chegar sem armadura,
sem ensaio,
sem esconder os cantos tortos da alma.
É dizer: sou isso,
com minhas manias, meus silêncios,
meus dias nublados
e ainda assim querer ficar.
O nosso amor nunca pediu licença para nada.
Não precisou gritar,
não precisou ferir,
não precisou controlar para existir.
Ele cresceu no gesto simples:
no café dividido,
no riso que surge do nada,
no conversa compartilhada no fim do dia.
Amar assim
é não ter receio de ser inteira,
de falar demais,
de sentir fundo,
de ser quem se é sem pedir desculpa.
Ao teu lado, aprendi
que amar não aperta,
não diminui.
Amar de verdade é repouso.
É casa.
É lugar onde não se pisa em ovos,
onde não se mede palavras,
onde o afeto não machuca.
São dez anos caminhando juntos,
dez anos de mãos dadas mesmo quando a vida pesa.
Caminhamos para onze não por hábito,
mas por escolha.
E se ainda há beleza no mundo,
ela mora nisso:
no amor que não assusta,
que não adoece,
que não exige versões menores de nós.
Amar assim
é coragem diária.
É liberdade compartilhada.
É a forma mais bonita
de existir a dois.
Poema para meu amado esposo, com quem escolho caminhar todos os dias.
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