Não é contra ninguém.
É a favor de vocês.
É para as mulheres
que aprenderam a baixar a voz
antes mesmo de terminar a frase.
Para as que confundiram amor com obediência
e cuidado com silêncio.
Disseram que ser mulher
era ceder,
esperar,
compreender demais.
Mas nenhuma vida nasce
para caber no medo.
Este manifesto não acusa homens,
porque a prisão não é um indivíduo
é um sistema antigo
que ensinou às mulheres
a se explicarem,
a se diminuírem,
a se colocarem por último.
Às que perguntam
se podem,
se devem,
se convém:
Não precisam de autorização
para pensar, escolher, sonhar, romper.
Não é rebeldia.
É dignidade.
Ser companheira não é ser submissa.
Ser amada não é ser controlada.
Respeito não exige renúncia de si.
A emancipação feminina
não destrói relações,
ela as torna possíveis,
justas,
inteiras.
Que outras mulheres saibam:
nenhuma existência precisa ser validada
por um olhar externo
para ser legítima.
Este é um chamado,
não um ataque.
Uma abertura,
não uma ruptura cega.
Que cada mulher reconheça em si
o direito de ser sujeito da própria história,
sem culpa,
sem medo,
sem pedir desculpas por existir.
Emancipar-se
é rasgar o roteiro
que escreveram para nossas vidas,
é recusar expectativas alheias,
sobretudo aquelas lançadas
por um olhar masculino
que tentou, por séculos,
delimitar nossos passos.
É dizer, em voz firme:
nenhuma mulher precisa ser guiada,
corrigida
ou autorizada
para existir como é
e como deseja ser.
Emancipar-se também
é negar a armadilha da rivalidade,
tecida pelo patriarcado
para nos dividir e enfraquecer.
É escolher a solidariedade,
a sororidade
como gesto político.
Não disputamos migalhas.
Alargamos caminhos.
Não competimos entre nós.
Caminhamos juntas.
Porque a liberdade
não é individual e solitária:
ela só se sustenta
quando todas podem viver
com autonomia,
com dignidade,
de pé.
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