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Luany de Macedo
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Dizem que é só ingenuidade,
acreditar ainda no amor,
num mundo feito de brevidade,
onde tudo se perde sem pudor.
Mas sigo firme, ainda insisto,
não por sonho ou ilusão,
é no afeto que ainda existo,
é questão de respiração.
Acredito no amor contido,
que não se vende em exposição,
não se oferece como ruído,
nem se molda à aprovação.
No amor simples, sem promessa,
que não vem como redenção,
mas que fica, mesmo sem pressa,
sustentando a direção.
O passado tentou ser muro,
fez da dor meu professor,
da ausência, hábito escuro,
do silêncio, um cobertor.
Aprendi a desconfiar,
a calar o que doía,
a sangrar sem avisar,
a esperar sem garantia.
E ainda assim, algo resiste,
não se curva ao que perdeu,
há um resto que ainda insiste,
em viver no que morreu.
Não é pureza, nem inocência,
não é sonho nem ilusão,
é uma fé sem dependência,
que resiste à negação.
É centelha entre ruínas,
luz teimosa a permanecer,
mesmo em terras tão feridas,
algo ainda quer nascer.
O amor não é leve encanto,
não é gesto sem tensão,
ele invade, quebra o pranto,
desorganiza a razão.
Expõe tudo que escondemos,
rasga o medo de existir,
tudo aquilo que tememos,
vem à tona ao sentir.
Amar é gesto insurgente,
ato vivo de oposição,
num mundo frio e indiferente,
que negocia o coração.
O amor não salva tudo,
nem resolve a direção,
mas sustenta, mesmo mudo,
quando falta o chão.
Se há ainda alguma mudança,
se há ruptura ou criação,
nasce no risco da esperança,
de sentir na contramão.
E é por isso que acredito,
não por falta de razão,
mas por tudo que resisto,
mesmo contra a negação.
Teu nome: cinco letras, 3 vogais, 2 consoantes
Adolescente, tola, te deixei partir,
Sem saber que o tempo não ia curar,
Mas só fazer doer, só me fazer lembrar.
Tu foste abrigo, sonho e descoberta,
Mas minha imaturidade era porta aberta
Pra inseguranças, medos e distância.
Te vi indo embora, sem coragem de gritar,
Ficou o silêncio e um mundo pra chorar.
As cartas rasgadas, os sorrisos perdidos,
As tardes eternas, os planos esquecidos...
Tudo ecoa agora no vazio do meu peito.
Amor primeiro, que eu não soube guardar,
Hoje entendo que amar é aprendizado,
Mas na época por não saber, te deixei ir.
Carrego tua ausência como cicatriz,
E toda noite, antes de me deitar,
Teu nome, baixinho, volto a chamar.
Te amei como pude, mas não foi bastante,
Hoje o passado é um nó sufocante.
Teu nome, vive na canção
Que canta em segredo, já no meu coração:
Amor primeiro, amor que eu não soube amar.
Mas o amor em mim batia em perigos.
Pulsava forte, em silêncio gritava,
Mas como covarde, a verdade eu calava.
E ali, calada, deixei escapar
A chance de te falar o que eu ainda sentia.
Há um caos que ninguém vê pulsando,
na mente que insiste em resistir.
Cada dia é um fio se rompendo,
cada noite, um tentar não desistir.
Oscila entre gritos e silêncios,
entre o ódio e o riso disfarçado.
Carrega no peito mil incêndios,
e o corpo, exausto, pede cuidado.
“Levanta!”, dizem com desdém e pressa,
sem saber da dor que não se mostra.
Como andar se a alma está dispersa,
presa em neblinas que ninguém aposta?
Ela sangra por dentro e sorri por fora,
anulando-se por quem não a vê.
Empurra-se ao dia, mesmo sem aurora,
mesmo afogada em não saber o porquê.
E mesmo assim, ainda luta calada,
mesmo quando só deseja partir.
Há beleza na alma despedaçada,
que insiste, cansada, em não desistir.
Te amei num tempo em que amar doía,
quando tua boca mentia e meus olhos negavam,
me fiz pequena, sombra do que eu era,
na esperança vã de que um dia tu mudarias,
Tuas palavras, veneno doce e raso,
me prendiam em laços que eu não via,
cada gesto, um passo para o abismo
que eu chamava de amor… e não sabia.
Fui silêncio onde eu devia ter sido grito,
fui espera em noites sem retorno,
te dei minha luz, o meu riso mais bonito,
e em troca, ganhei um mundo sem contorno.
Mas hoje, me ergo das cinzas
teus fantasmas já não me fazem morada,
cortei as cordas que me seguravam,
sou vento, sou mar e agora sou estrada.
Não sou metade, sou inteira e firme,
não me desfaço em pedaços teus,
o que me habita não se reprime,
nem se diminui nos olhos teus.
O fim não veio como um trovão raivoso,
mas como um suspiro de alívio e de razão.
O amor já tinha morrido, silencioso,
restava apenas minha libertação.
Agora caminho com passos inteiros,
já não me perco em desejos alheios,
se um dia “fui tua”, em laços ligeiros,
te digo: pertenço apenas a mim, sem rodeios.