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de

Dos sonhos meus vieste então,
trazendo luz ao coração.
Teu jeito doce e o olhar sereno,
um misto de medo e encanto pleno.

Nos teus abraços, sinto abrigo,
teu toque é paz, és meu amigo.
Palavras tuas, sempre belas,
como estrelas a brilhar no infinito.

Menino dos sonhos, razão do meu bem,
tiraste-me a dor, não sofro mais além.
De onde vieste, tão cheio de luz?
Tão doce encanto, que me conduz?

Quando te olho, perguntas baixinho:
— “O que houve, amor, meu doce carinho?”
E eu, sorrindo, disfarço a emoção,
mas no teu rosto mora a paixão.

Se te sorrio, sorris também,
num ar tímido, que faz tão bem.
Se te encaro, desvias ligeiro,
mas em teus olhos vejo um braseiro.

Leva-me às nuvens, me faz sonhar,
segura minha mão, vamos voar!
Rumo ao destino que o vento conduz,
vivendo o amor, banhados de luz.

31
de

Sem criatividade para escrever,
Sem vontade de ao menos pensar.
Sem saco pra resumir tudo em palavras,
Apenas o desejo de que elas possam aliviar...

Não quero encontrar rima no que digo,
Nem me prender à formalidade.
Métrica, regras, toda essa estrutura...
Só quero descrever o que vejo e sinto,
Sem a ilusão da perfeição ou da verdade.

Na realidade, nem sei o que quero desabafar,
Talvez minha repulsa por essa nova geração.
Tento explicar o que vejo ao lançar o olhar,
Mas tudo me escapa, como uma frustração.

Sinto-me estrangeira, sem lugar ou identidade,
Vejo a fome estampada no olhar de uma criança,
E jovens tão mais jovens que eu,
Trancados em bolhas de falsa esperança.

Vejo a ânsia de ser diferente
E o vazio de quem se julga são.
Vejo aqueles que se dizem cultos e sábios,
Mas são apenas mais gado no meio do rebanho.

Essa juventude me cansa, a futilidade me desgasta,
O materialismo me assusta, a vulgaridade me corrói.
Cansei também dessa falta de pensar,
E de argumentos vazios que nada constrói.

Me torno apática a cada dia,
Sinto nojo do mundo ao meu redor.
Sexo, amor, amizade — tudo banal,
Como se nada mais tivesse valor.

E o que sobra depois da náusea?
Talvez um eco, um grito mudo no escuro,
Ou a certeza de que ser estrangeira
É o preço de quem enxerga além do muro.

Se o mundo é esse que se molda à cegueira,
Que sejamos então as vozes errantes.
Melhor caminhar contra a maré
Do que afogar-se entre os ignorantes.

3
de

De repente, tudo mudou. Aquele sorriso bobinho, que antes iluminava meus dias, já não estava mais comigo. O tempo, implacável, desfez o que parecia inabalável. As pessoas que um dia tomei como "importantes" e "especiais" sumiram como folhas levadas pelo vento. Talvez o amor seja, de fato, uma troca. Hoje, percebo que poucos estão realmente dispostos a se entregar a esse sentimento. Se o amor que oferecemos não é retribuído na mesma intensidade, naturalmente surge o desejo de distanciar-se. O amor, então, se revela como um jogo de interesses, uma dança em que cada um segue o ritmo que mais lhe convém. Afinal, somos atraídos pelo que nos é familiar, pelo que faz sentido em nosso universo particular.

O tempo muda, o tempo cura? Mas, afinal, o que é o tempo? Como silenciar o passado que insiste em se tornar presente? As lembranças são como sombras, sempre nos acompanhando, projetando-se em nossa realidade. O futuro, esse vasto e desconhecido oceano, permanece um mistério indecifrável, um universo que ainda não existe. E o presente? Ah, o presente escorre pelos dedos, tornando-se passado em um piscar de olhos. Talvez esse medo que me habita seja o eco de um erro cometido em uma vida passada. Mas, por ora, deixo o tempo de lado...

Se há algo que sempre temi sentir, esse algo é o arrependimento. Sempre fui livre de meus remorsos e escrava de meus desejos, transitando entre erros e acertos sem carregar pesos desnecessários. Mas agora, algo mudou. Agora, sinto-me prisioneira de mim mesma. Já não consigo distinguir com clareza o bem do mal. Na minha mente, uma voz incessante sussurra dúvidas, atormenta minhas certezas e me conduz a um labirinto de pensamentos confusos.

Então, despertei. Acordei de um dos meus piores pesadelos, acreditando que tudo não passava de uma ilusão. Mas a verdade se impôs como um golpe cruel: o sonho se transfigurou em realidade. E assim, sigo, carregando dentro de mim uma dor cuja origem desconheço, uma dor que simplesmente existe, latejante, sem nome, sem motivo aparente.

Hoje, voltei ao lugar que costumava frequentar. Caminhei por entre lembranças, esperando encontrar vestígios do que um dia foi. Mas só encontrei o vazio. Apenas meu eco, apenas minha própria voz ecoando ao vento, sem resposta, sem testemunhas. Me tornei invisível aos olhos daqueles que um dia julguei que me enxergavam. E, talvez, tenha sido assim o tempo todo.


"Eu não tô interessado em nenhuma teoria, nessas coisas do oriente, romances astrais. Minha alucinação é suportar o dia-a-dia e meu delírio é a experiência com coisas reais"