De repente, tudo mudou. Aquele sorriso bobinho, que antes iluminava meus dias, já não estava mais comigo. O tempo, implacável, desfez o que parecia inabalável. As pessoas que um dia tomei como "importantes" e "especiais" sumiram como folhas levadas pelo vento. Talvez o amor seja, de fato, uma troca. Hoje, percebo que poucos estão realmente dispostos a se entregar a esse sentimento. Se o amor que oferecemos não é retribuído na mesma intensidade, naturalmente surge o desejo de distanciar-se. O amor, então, se revela como um jogo de interesses, uma dança em que cada um segue o ritmo que mais lhe convém. Afinal, somos atraídos pelo que nos é familiar, pelo que faz sentido em nosso universo particular.
O tempo muda, o tempo cura? Mas, afinal, o que é o tempo? Como silenciar o passado que insiste em se tornar presente? As lembranças são como sombras, sempre nos acompanhando, projetando-se em nossa realidade. O futuro, esse vasto e desconhecido oceano, permanece um mistério indecifrável, um universo que ainda não existe. E o presente? Ah, o presente escorre pelos dedos, tornando-se passado em um piscar de olhos. Talvez esse medo que me habita seja o eco de um erro cometido em uma vida passada. Mas, por ora, deixo o tempo de lado...
Se há algo que sempre temi sentir, esse algo é o arrependimento. Sempre fui livre de meus remorsos e escrava de meus desejos, transitando entre erros e acertos sem carregar pesos desnecessários. Mas agora, algo mudou. Agora, sinto-me prisioneira de mim mesma. Já não consigo distinguir com clareza o bem do mal. Na minha mente, uma voz incessante sussurra dúvidas, atormenta minhas certezas e me conduz a um labirinto de pensamentos confusos.
Então, despertei. Acordei de um dos meus piores pesadelos, acreditando que tudo não passava de uma ilusão. Mas a verdade se impôs como um golpe cruel: o sonho se transfigurou em realidade. E assim, sigo, carregando dentro de mim uma dor cuja origem desconheço, uma dor que simplesmente existe, latejante, sem nome, sem motivo aparente.
Hoje, voltei ao lugar que costumava frequentar. Caminhei por entre lembranças, esperando encontrar vestígios do que um dia foi. Mas só encontrei o vazio. Apenas meu eco, apenas minha própria voz ecoando ao vento, sem resposta, sem testemunhas. Me tornei invisível aos olhos daqueles que um dia julguei que me enxergavam. E, talvez, tenha sido assim o tempo todo.
"Eu não tô interessado em nenhuma teoria, nessas coisas do oriente, romances astrais. Minha alucinação é suportar o dia-a-dia e meu delírio é a experiência com coisas reais"