As palavras não pedem licença,
elas só vêm,
quentes, rápidas, atravessadas,
como se nascessem prontas demais
dentro da minha garganta.
quentes, rápidas, atravessadas,
como se nascessem prontas demais
dentro da minha garganta.
É irritação sem motivo visível,
um nervo aceso sob a pele,
sons que ferem, portas que explodem,
vozes que pesam toneladas
sobre um coração já apertado.
E junto disso, algo endurece:
fico distante, áspera, quase ausente,
uma insensibilidade estranha
que me rouba o cuidado
antes mesmo que eu perceba.
Então tudo estoura,
um caos súbito, incontornável,
e quanto mais tento consertar
mais espalho faíscas
num quarto cheio de gás.
Quando passa, não vem calma.
Vem o nada.
A apatia senta ao meu lado em silêncio
e me olha nos olhos
como se fosse o único sentimento que restou.
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