Olá, caro leitor.
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Luany de Macedo
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A solidão não chega, ela se infiltra.
Arrasta-se como neblina sobre a alma,
entra sem pedir licença,
habita os intervalos do dia,
recosta-se ao meu lado
mesmo quando o mundo insiste em parecer cheio.
É presença que não fala,
é a companhia que não consola,
a sombra que me escolheu
e jamais se afasta.
A tristeza não me visita:
ela mora em mim.
É antiga, é íntima, é fiel.
Não se faz apenas de lágrimas,
mas de um cansaço que ultrapassa o corpo e adoece o existir.
Cansaço de ser forte
num mundo que idolatra a dureza,
enquanto tudo em mim suplica por repouso.
Ela não passa, ela se deposita.
Camada sobre camada,
até que respirar deixa de ser natural
e passa a ser resistência.
Apontam-me um deus.
Erguem-no diante de mim
como se fosse resposta.
Dizem: “Acredite”,
com a facilidade de quem nunca tocou o vazio.
Mas onde está esse deus que proclamam?
Não o encontro nos dias longos
que sangram lentamente,
nem nas noites em que me perco
procurando sentido entre escombros.
Se existe, está ausente.
E se observa, não intervém.
Não acredito em deuses, entidades ou promessas celestes.
Minha dor não encontra altar,
minha angústia não encontra salvação.
Estou só e lúcida demais para fingir fé.
E os outros…
onde estão os que juraram estar ao meu lado?
Os que oferecem presença
apenas com a boca.
As palavras dizem “estou aqui”,
mas os gestos se calam,
e o silêncio revela a verdade nua:
estou só entre muitos.
Aprendi, com amargura,
que a solidão também pode ser coletiva
estar cercada
e ainda assim abandonada.
Ah, como eu queria não ter crescido.
Não por nostalgia pueril,
mas por exaustão de consciência.
Crescer foi aprender demais sobre o mundo,
sobre suas normas sufocantes,
suas exigências cruéis,
sua incapacidade de acolher
quem sente fundo demais.
Crescer foi descobrir
que não há lugar para os excessivos,
para os que transbordam dor,
para os que não cabem nas formas prontas.
Crescer foi perder o direito à fragilidade
e ainda pedir desculpas por ela.
Se houvesse escolha,
eu teria ficado à margem do tempo,
num ponto esquecido da existência,
onde ainda era permitido ser
sem justificar-se.
Onde não era necessário parecer inteira
quando tudo em mim desmorona.
Onde a ruína não precisava ser escondida,
onde a dor podia existir
sem ser corrigida.
Sou feita de escombros,
de lucidez e de ausência.
E talvez essa seja
minha mais trágica fidelidade à vida.
Dizem que é só ingenuidade,
acreditar ainda no amor,
num mundo feito de brevidade,
onde tudo se perde sem pudor.
Mas sigo firme, ainda insisto,
não por sonho ou ilusão,
é no afeto que ainda existo,
é questão de respiração.
Acredito no amor contido,
que não se vende em exposição,
não se oferece como ruído,
nem se molda à aprovação.
No amor simples, sem promessa,
que não vem como redenção,
mas que fica, mesmo sem pressa,
sustentando a direção.
O passado tentou ser muro,
fez da dor meu professor,
da ausência, hábito escuro,
do silêncio, um cobertor.
Aprendi a desconfiar,
a calar o que doía,
a sangrar sem avisar,
a esperar sem garantia.
E ainda assim, algo resiste,
não se curva ao que perdeu,
há um resto que ainda insiste,
em viver no que morreu.
Não é pureza, nem inocência,
não é sonho nem ilusão,
é uma fé sem dependência,
que resiste à negação.
É centelha entre ruínas,
luz teimosa a permanecer,
mesmo em terras tão feridas,
algo ainda quer nascer.
O amor não é leve encanto,
não é gesto sem tensão,
ele invade, quebra o pranto,
desorganiza a razão.
Expõe tudo que escondemos,
rasga o medo de existir,
tudo aquilo que tememos,
vem à tona ao sentir.
Amar é gesto insurgente,
ato vivo de oposição,
num mundo frio e indiferente,
que negocia o coração.
O amor não salva tudo,
nem resolve a direção,
mas sustenta, mesmo mudo,
quando falta o chão.
Se há ainda alguma mudança,
se há ruptura ou criação,
nasce no risco da esperança,
de sentir na contramão.
E é por isso que acredito,
não por falta de razão,
mas por tudo que resisto,
mesmo contra a negação.
Teu nome: cinco letras, 3 vogais, 2 consoantes
Adolescente, tola, te deixei partir,
Sem saber que o tempo não ia curar,
Mas só fazer doer, só me fazer lembrar.
Tu foste abrigo, sonho e descoberta,
Mas minha imaturidade era porta aberta
Pra inseguranças, medos e distância.
Te vi indo embora, sem coragem de gritar,
Ficou o silêncio e um mundo pra chorar.
As cartas rasgadas, os sorrisos perdidos,
As tardes eternas, os planos esquecidos...
Tudo ecoa agora no vazio do meu peito.
Amor primeiro, que eu não soube guardar,
Hoje entendo que amar é aprendizado,
Mas na época por não saber, te deixei ir.
Carrego tua ausência como cicatriz,
E toda noite, antes de me deitar,
Teu nome, baixinho, volto a chamar.
Te amei como pude, mas não foi bastante,
Hoje o passado é um nó sufocante.
Teu nome, vive na canção
Que canta em segredo, já no meu coração:
Amor primeiro, amor que eu não soube amar.
Mas o amor em mim batia em perigos.
Pulsava forte, em silêncio gritava,
Mas como covarde, a verdade eu calava.
E ali, calada, deixei escapar
A chance de te falar o que eu ainda sentia.