O relógio não atrasa.
Nunca atrasa.
Ele bate seis dias seguidos
e guarda um
como quem concede um favor.

Tic.
Trabalho.
Tac.
Trabalho.
Tic.
Trabalho.

Seis voltas completas da semana
para um único respiro.

Dizem que todos possuem as mesmas 24 horas.
O mesmo sol nasce,
o mesmo ponteiro corre,
o mesmo calendário avança.

Mas quem vive na escala 6x1
aprende que as horas
não são todas suas.
São do patrão,
da meta,
do transporte lotado às cinco da manhã,
do corpo que chega em casa
já emprestado ao cansaço.

O domingo
único dia que não bate ponto
não é descanso inteiro.
É roupa acumulada,
é mercado,
é família pedindo presença
quando a energia já foi embora.

E então a pergunta insiste,
como alarme que não se cala:
Todos possuem as mesmas 24 horas?
Ou alguns recebem as horas cruas
enquanto outros escolhem
como temperá-las?

O relógio é justo na matemática.
Mas a vida não é equação.
Na escala 6x1
o tempo não é tempo
é turno.

É corpo convertido em produtividade.
É segunda que começa
antes mesmo de o domingo acabar.
E ainda assim,
no meio do cansaço,
há quem sonhe com outro ritmo
um em que o tempo não seja concessão,
mas direito.

Porque ter 24 horas
não é o mesmo
que poder vivê-las.

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