Mandaram ao vento aprender contenção,
E às janelas fechar-se antes da luz;
Até os pássaros, em triste aflição,
Voavam baixo, fugindo da cruz.

Nas praças, os bancos guardavam segredos,
Conversas que o medo deixou sem final;
As palavras passaram a andar descalças,
Com medo do barulho dos próprios passos.

Havia olhos presos ao chão abatido,
Não por virtude, mas para viver;
Quem trazia a verdade consigo escondido,
Aprendeu em silêncio a seu bolso coser.

Mesmo assim, havia sementes guardadas,
Sob a terra endurecida a esperar;
Permaneciam no escuro caladas,
Confiando no tempo para germinar.

Nenhuma noite se faz infinita,
Nem consegue impedir a manhã de nascer;
Toda muralha, por mais que resista,
Cede às raízes que insistem crescer.

Quando o primeiro canto voltou ao caminho,
Não surgiu como um grito feroz ou cruel;
Veio sereno, devolvendo o carinho,
E ao mundo entregando novamente o céu.

Desde então, cada palavra liberta,
Guarda a memória do que se calou;
E todo silêncio imposto e de porta entreaberta,
Já nasce vencido por quem nunca cessou.

Luany de Macedo Nascimento 08/07/2026


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