Escrevo onde a luz se desfaz,
No barro antigo de um silêncio sem fim;
Cada palavra retorna e me refaz,
Como um segredo escondido dentro de mim.

Escavo o tempo com mãos de solidão,
Lavando as pedras da memória ferida;
Toda lembrança repousa no coração,
Esperando o sopro discreto da vida.

Há fósseis vivos dormindo na poeira,
Fragmentos que o esquecimento não venceu;
Cada verso levanta uma fronteira,
Entre quem fui e quem ainda sou eu.

Quando termino, não encontro respostas,
Nem ouro raro escondido sob o chão;
Apenas marcas, cicatrizes expostas,
Provando que escrever também é escavação.

Luany de Macedo Nascimento 09/07/2026

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