A lua sobe lenta, pálida e antiga,
recorta o silêncio do céu profundo,
traz meu nome à tona, calada e antiga,
como um segredo esquecido no mundo.
No som do meu nome, a lua se anuncia,
eco antigo que a noite reconheceu,
“Luany” carrega em si essa luz tardia,
radical de lua que em mim floresceu.
Nas noites frias, quando tudo adormece,
ela caminha ao meu lado, sem voz,
testemunha muda do que em mim permanece,
sem nunca pedir, sem jamais falar por nós.
Há nela uma dor que não se desfaz,
beleza contida de quem já sofreu,
olha o abismo e não volta atrás,
como alguém que ao vazio se rendeu.
Se tudo escurece, ela ainda persiste,
pairando na noite que insiste em ficar,
e eu, como ela, na sombra que existe,
aprendo em silêncio a não me apagar.