Lembro-me que até não muito tempo atrás,

era movida por medicamentos.
remédio para dormir, remédio para acordar...
remédio para se manter estável, remédio para se manter acordada.

Internação, paredes mudas que nada me diziam
Em cárcere, mais um surto psicótico. 
Sangue por todos os lados.
Mais uma tentativa de suicídio.

O que esses remédios fizeram comigo?
Onde está a moça divertida e sorridente de antes?
Vazio. Tudo o que me resta é o nada infinito.
Oh, não. Lá vem os medicamentos novamente...
(Convulsões, sonolência, vozes em minha mente)

Quando sua mente te prega peças,
você não diferencia mais o real do imaginário.
E se perde nesse abismo. Não encontra caminho de volta.
Mas há uma pequeno feixe de luz na escuridão de minha alma.


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Aos 24 anos, diagnosticada com depressão crônica, depressão psicótica, transtorno delirante persistente, transtorno ansioso social, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de Bordeline, transtorno esquizoafetivo e transtorno bipolar. Uso diário de oito medicamentos, uma internação psiquiátrica, três tentativas de suicídio.

Hoje, aos 27 anos. Casada, mãe, empresária, ex fumante, sem uso de medicamento psicoativo há 28 meses.


É necessário um cuidado muito minucioso com o profissional que se escolhe para começar um tratamento medicamentoso psiquiátrico, lutei durante muitos anos para não fazer, (deveria ter continuado lutando) ate que em 2013 tive que começar, para a vida torna-se possível e continuar com minhas atividades diárias. Iniciei o tratamento com um anti depressivo e um ansiolítico, efeitos colaterais diversos. A cada consulta e a cada troca de profissional, mais medicamentos. Até chegar ao ponto de fazer uso de um anti depressivo, um regulador de humor, um anti psicótico, um anticolinérgico, dois indutores de sono, dois a três ansiolíticos/calmantes por dia. Não foi uma época fácil. Vi minha vida se diluir. Não me reconhecia, nem como imagem e nem como personalidade. Corpo magro, olhos sem brilho, sorrisos inexistentes, aparência cadavérica, mente confusa e completamente afetada pelo o uso de tantos medicamentos, não me sentia, não conseguia raciocinar, não conseguia manter uma linha de pensamento. Como se a minha mente não acompanhasse minha fala, movimentos. Me sentia estranha e cada vez mais deprimida. Passei a esquecer de rostos, pessoas, vozes, momentos. Me tornei altamente agressiva, impulsiva e paranoica e a lista de medicamentos foram aumentando, a cada efeito surtido, mais um medicamento para conter. Me sentia uma farmácia ambulante e achava que nunca ia sair dessa situação, que estava fadada. Só restava em minha mente duas alternativas: A loucura e demência ou o suicido, por três vezes optei pelo o suicídio. Mas sem sucesso em todas elas, cá estou, viva. Da última vez que escapei, apos ingerir 78 comprimidos de medicamentos psicoativos e passar um tempo internada em estado de calamidade, passei acreditar que tinha que existir um motivo para continuar viva, não era possível que não existisse (sem crença religiosa) mas não podia ser somente sorte ou acaso, seria demais. Hoje vejo que existiu sim, minha filha, a minha cura. Ela veio pra mudar minha vida, mudar a rota, a direção é o sentido. Ela me trouxe a vida. 


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Continua no próximo texto. 
Essa é uma história fictícia (ou não)

Dentro do silêncio que habita em minha alma, dentro da confusão de minha mente. Inúmeros erros para serem corrigidos, inúmeros feitos não agradecidos, inúmeras tentativas em vão... E tantas coisas para viver.

Estive em vários lugares, desloquei-me à varias dimensões. Viajei no tempo, no espaço. Saí de meu corpo e voei! Difícil traduzir com palavras o que senti... Caminhando sozinha, em direção da luz que cega meus olhos. Dessa luz, forte e clara. Que parece ser cada vez mais distante...
Passei tanto tempo da minha vida, trancafiada na escuridão que qualquer feixe de luz faz meus olhos cegarem. Não falo da escuridão por ausência da luz, falo da escuridão da alma. Falo dessa tristeza que invade meu ser por noite e dia. Por quantas vezes a lua foi minha única e fiel companheira? Por quantas noites, as estrelas foram minhas únicas amigas? Ninguém saberia ao certo decifrar o porquê me sinto assim. Quando o surto bate em minha porta, e o desespero toma conta de mim, é o momento que tudo se resume ao nada..  Se me vissem em tal estado, ninguém entenderia minha seriedade, a falta de um sorriso em meu rosto, o olhar sem brilho, o semblante estranho e o silêncio que habita em meu ser. Não sou eu nesses momentos... 


"Tudo é dor! E toda dor vem do desejo de não sentirmos dor..." 

Às vezes venho por meio da escrita
Liberar o tudo que sinto,
Mas sinto tanta coisa
Que me perco entre as linhas.

Na companhia de um café e dos cigarros
Para esquentar-me nessa noite fria,
Na companhia da escrita,
Para tentar sentir-se viva.

És ainda toda a força que me mantém viva,
O meu riso inocente,
A melhor e a pior parte em mim existente.

Quando por fim da vida despedir-me,
Guarda-te contigo uma doce lembrança.
Na morte, estarei eu ainda te amando,
E a velar noite e dia teu sublime sono.



De todos os amores por mim um dia já prometidos,
O teu, meu bem... 
Será o único a ser cumprido, até o fim!


 Quem poderia preencher esse vazio existente em meu peito?
Quem na terra poderia se aproximar de mim,
Invadindo meus pensamentos,
Sem machucar-me com o tempo?

Quem poderia me conquistar a cada raiar do sol?
Quem me faria desistir de meus planos,
Apenas para continuar vivendo um romance?

Lembro-me de um passado doce nem tão distante,
Pergunto-me todas as noites: - Onde eu errei?
Fui uma boa amiga, companheira e amante.
E levo comigo o seu sorriso como lembrança.

Eu não nasci para viver na realidade,
O papel que venho procurando pra minha vida parece não existir,
(exceto nos livros de romances)
E na vida e busca dos poetas...

"Eu não sei se sou o pugilista ou o saco de pancadas!"