Reflete o brilho que só ela vê,
Seus passos medem a própria narrativa,
No palco onde a luz imaginária só nela é.
Sussurra ao mundo verdades de espelho,
Escuta apenas o som do seu tom,
Quem tenta entrar, é visto como erro,
Pois reina só, onde amor não tem dom.
Cultiva espinhos num jardim de orgulho,
Colhe aplausos no vazio interior.
Sorri por fora, no gesto inseguro,
Mas foge da luz que revela o rancor.
Seu mundo gira em torno do seu nome,
Mas todo ego, um dia, se consome,
Num silêncio frio, calado e pesado.
Soberba é muro alto e sem janela,
É não saber que há vida além dela,
E que o amor não cabe na solidão.
Pois orgulho que nunca se cativa,
É prisão feita de autonegação.