Olá, caro leitor.
Quem sou?
Luany de Macedo
Pesquisar
Visitantes
Há temas que crescem no silêncio,
como ervas nas frestas do chão,
brotam lentos no tempo denso,
sem voz, sem nome, na escuridão.
A laicidade, entrelaçada ao esquecimento,
permanece à margem da atenção,
central no tecido do pensamento,
mas ausente da problematização.
Na escola, o sagrado se insinua,
como neutro a se apresentar,
como se a tradição fosse rua
única por onde caminhar.
E a pesquisa, quando silencia,
também ensina a não enxergar,
naturaliza o que fere a via
da democracia a se afirmar.
Onde faltam palavras ditas,
os conflitos vão se esconder,
outras crenças tornam-se aflitas,
sem espaço para aparecer.
A não crença vira ausência,
o diverso perde seu lugar,
e o cuidado, em falsa aparência,
faz o proselitismo avançar.
Não é falta de fundamento,
nem carência de produção,
é resistência, é deslocamento
de um nó feito de fé e poder em tensão.
Formam-se então educadores
sem instrumentos pra questionar,
com éticas frágeis, sem rumos, sem cores,
consciências que dormem sem despertar.
Pesquisar é romper o véu,
é gesto ético, ato político,
é rasgar as sombras do céu
com compromisso público e crítico.
A escola não é altar erguido,
nem espaço de imposição,
é travessia de sentido,
é chão comum em construção.
Educar é abrir caminhos,
é garantir o direito de ser,
de crer, de não crer, sozinhos,
ou juntos, livres para viver.
já não parece lar.
As paredes me olham torto,
os gestos não me reconhecem,
sou ave sem galho,
estranha no próprio ninho