Escrever é abrir véus do indizível,
Tocar a própria sombra em mansidão,
Fazer do silêncio uma pulsação
Onde o sentir se torna quase audível.

No verso, o eu se perde, imperceptível,
Como fumaça em lenta dissolução;
A dor se faz perfume em suspensão,
Num gesto íntimo, vago e inaudível.

Escrevo para ouvir o que não digo,
Para habitar espelhos sem contorno,
E reconhecer-me estranha e antiga.

Cada poema é um abismo e um retorno,
Onde me encontro e logo me desligo,
E a palavra é névoa em eterno entorno.

Luany de Macedo Nascimento 29/01/2026

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