Há temas que crescem no silêncio,
como ervas entre as frestas do chão.
A laicidade é um deles:
central, e ainda assim esquecida,
pairando à margem dos textos,
pedindo coragem para ser dita
onde o hábito prefere não olhar.

Na escola, o sagrado se insinua
como se fosse neutro,
como se tradição fosse destino.
E a pesquisa, quando se cala,
também ensina:
ensina a não ver,
a aceitar como natural
o que fere a democracia.

Onde faltam palavras,
os conflitos aprendem a se esconder.
Outras crenças se tornam sombra,
a não crença, ausência,
e o proselitismo caminha em silêncio,
travestido de cuidado,
ocupando o espaço público
sem jamais pedir licença.

Não é escassez de fontes,
é resistência histórica.
É o medo de tocar o nó
onde educação, fé e poder se apertam.
E assim, forma-se professores
sem ferramentas para questionar,
éticas fragilizadas,
consciências adormecidas.

Pesquisar a laicidade é romper véus.
É gesto político,
é escolha ética,
é responsabilidade com o comum.
A escola pública não é altar:
é travessia.
E educar, afinal,
é defender a liberdade
de crer, de não crer,
e de ser.

Luany de Macedo Nascimento 29/01/2026

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