Depois do estrondo das vozes,
dos nomes lançados como pedras,
fica o silêncio
não o que acalma,
mas o que reverbera
e dói por dentro.
Abriu-se um buraco no meu peito
não desses que o tempo costura
mas um vão fundo, escuro
onde a tristeza se senta
e aprende a morar
como se sempre tivesse sido dali.
A noite veio curta, quebrada
sono em migalhas
olhos ardendo em vigília
e eu sei
corpo cansado é fósforo
mente bipolar é pólvora.
Sinto-me bomba-relógio
tic-tac no pensamento
tic-tac no coração
não só por raiva
mas pelo peso de sentir demais.
Dá vontade de partir
juntar o pouco que resta
deixar o resto para trás
como se ir embora
doesse menos
do que continuar ficando.
De repente, aqui,
já não parece lar.
As paredes me olham torto,
os gestos não me reconhecem,
sou ave sem galho,
estranha no próprio ninho
já não parece lar.
As paredes me olham torto,
os gestos não me reconhecem,
sou ave sem galho,
estranha no próprio ninho
Carrego o desejo de fuga
como quem carrega febre.
Não é escolha
é sintoma.
É o corpo pedindo distância
antes de virar estilhaço.
Se eu partir
talvez seja só para respirar.
Que o amanhã venha menos pesado
e que essa vontade de ir
não precise mais gritar.
Luany de Macedo Nascimento
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