Cheguei à Educação no Campo
no fim do percurso da graduação,
quando o corpo já traz marcas,
o pensamento já não aceita respostas fáceis
e o aprender deixa de ser obrigação
para se tornar escolha consciente.
Última etapa antes da colação de grau,
mas não um fechamento.
Um alargamento.
mas não um fechamento.
Um alargamento.
Nas disciplinas, não encontrei apenas conteúdos.
Encontrei sujeitos.
Gente de terra, de luta, de tempo próprio.
Gente que não cabe no calendário urbano
nem na pressa da escola que não escuta.
Aprendi que o campo não é ausência.
É presença histórica.
É território de saber,
de memória,
de resistência.
Cada aula me ensinou e continuar a ensinar
a olhar sem reduzir,
a pensar sem generalizar,
a reconhecer a singularidade de quem vive
onde a vida brota do chão.
A Educação no Campo me deslocou.
Fez ruir ideias prontas,
questionou modelos,
desacomodou certezas.
Mostrou que ensinar não é levar saber,
é construir com,
a partir das experiências,
dos ritmos,
dos modos de existir.
Ali, o conhecimento não flutua.
Ele pisa a terra.
Tem cheiro de roça,
voz de comunidade,
tempo de espera e de colheita.
É um saber que nasce do trabalho,
da organização coletiva,
da relação viva com o território.
Viver essas disciplinas estar sendo aprender a respeitar.
Entendendo que não há educação justa
sem escuta verdadeira,
sem compromisso político,
sem reconhecimento do outro
como sujeito histórico.
Chego ao fim da graduação
com o diploma já à vista,
mas atravessada por perguntas.
Porque a Educação no Campo
não é ponto de chegada.
É forma de permanecer em travessia.
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