Entre tantos gêneros que habitam a universidade,
aprendi a atravessar o resumo com rigor,
a resenha com diálogo,
o fichamento com disciplina,
o artigo com método
e o relato de experiência com compromisso.
Todos importantes. Todos necessários.
Mas é na carta pedagógica Freireana
que a escrita em mim perde as amarras.
Nela, o texto não corre em linhas curtas.
Ele se alonga.
Respira.
Ocupa dez, quinze páginas sem pedir desculpas.
Porque há muito a dizer quando o pensamento
não se separa de quem pensa.
A carta não exige neutralidade.
Ela pede presença.
Pede que eu me coloque inteira,
como sujeito que lê o mundo antes de ler a palavra,
como alguém que estuda, mas também sente,
que teoriza, mas não se ausenta.
Na carta, não escrevo para provar.
Escrevo para dialogar.
Não organizo apenas conceitos,
organizo atravessamentos.
O texto vira encontro.
Com o autor, com a experiência, comigo.
É ali que penso com o corpo,
reflito com a memória,
me implico com o que estudo.
Não falo de fora.
Falo desde dentro.
A carta pedagógica me permite questionar com consciência,
duvidar com coragem,
afirmar sem arrogância.
Ela acolhe a pergunta que ainda não tem resposta
e o saber que nasce do chão da experiência.
Por isso, entre normas, estruturas e métodos,
é na carta que me reconheço.
Porque nela, aprender não é acumular.
É se transformar enquanto escreve.
Luany de Macedo Nascimento
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