Há dias em que tudo transborda
e outros em que o mundo fica longe demais.
Entre extremos,
aprendo a morar no intervalo.

No meio da rotina,
duas vezes ao dia,
Lítio!
Não como promessa,
mas como estabilizador.

Um nome curto
para um gesto de permanência.
Para o esforço silencioso
de não me perder de mim.

Lítio sustenta o chão
quando o pensamento corre,
e também quando tudo pesa
como se o ar fosse espesso.

Não me tira a total sensibilidade.
Não me rouba quem sou.
Apenas segura minha mão
quando a mente tenta cair.

Ainda sinto muito.
Ainda sinto fundo.
Mas agora existe margem,
existe fresta,
existe tempo entre o impulso e o abismo.

Lítio não é o fim do caos,
é o limite.
É o lugar onde eu paro,
respiro
e escolho ficar.

Ficar viva nos dias comuns,
nos dias difíceis,
nos dias em que existir
já é um ato de coragem.

E sigo.
Não inteira o bastante.
Mas ainda aqui.

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