Caro leitor,

talvez você esteja lendo este texto no intervalo de alguma obrigação. Talvez tenha chegado aqui por acaso, como quem cai de paraquedas em um espaço desconhecido. Talvez não me conheça, e tudo bem.
Escrevo porque, em algum momento, percebi que estava vivendo no automático. Este espaço nasceu dessa inquietação e da tentativa de nomear o incômodo que surge quando a vida parece apenas funcionar.

Talvez você também esteja lendo entre um compromisso e outro, entre o cansaço e alguma distração qualquer. E isso já diz muito. Vivemos ocupados demais para perceber quando a vida deixa de ser experiência e passa a ser apenas continuidade. Você já sentiu isso? A sensação de estar sempre em movimento, mas sem saber exatamente para onde?

Aprendemos cedo a funcionar. A cumprir papéis, horários, expectativas. Pouco se fala, no entanto, sobre o que acontece quando o sujeito se adapta tanto que já não se reconhece. Marx chamaria isso de alienação: quando o indivíduo se distancia daquilo que produz, do que sente e, por fim, de si mesmo. Mas talvez você não precise do conceito para reconhecer o incômodo. Basta lembrar das vezes em que viveu no automático, repetindo gestos que não escolheu conscientemente.

Essa alienação não mora apenas no trabalho. Ela atravessa os afetos, as relações, os sonhos que parecem nossos, mas não nasceram de nós. Quantas ideias sobre sucesso, amor e felicidade você adotou sem perceber? Quantas dores silenciou por falta de tempo, espaço ou permissão para senti-las? A quem pertence a vida que você está vivendo agora?

Questionar isso não é simples, nem confortável. Pensar demais costuma ser tratado como fraqueza ou improdutividade. Mas talvez seja justamente o contrário. Talvez pensar seja uma forma de recuperar o que foi perdido no excesso de adaptação. Um gesto pequeno, porém radical, de retomada da própria existência.

Este texto não pretende ensinar nem conduzir a conclusões. Ele existe como pausa. Um fragmento de experiência transformado em palavra, nascido de um processo longo de sentir, cair, compreender e, sobretudo, aprender a colocar limites.

Se, em algum trecho, você se reconheceu ou se algo lhe causou estranhamento, resistência ou inquietação, isso já é diálogo. Este espaço existe para troca, escuta e encontro. Sinta-se à vontade para comentar, discordar, acrescentar ou compartilhar sua leitura.

A palavra só ganha sentido quando encontra outra.
Vamos conversar, caro leitor.

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