Escrevo como quem tenta conter o rio,
mas a água não cabe na margem do papel,
há ideias demais pedindo passagem,
todas falando ao mesmo tempo dentro de mim.

Aprendo, aos poucos, que dizer tudo cansa,
não por falta de sentido,
mas por excesso de fôlego,
como quem grita verdades sem pausa.

Talvez escrever curto seja respirar,
deixar a palavra pousar antes do voo,
oferecer ao leitor um degrau,
não o abismo inteiro de uma vez.

Então sigo cortando sem me ferir,
um verso por vez, uma ideia de cada vez,
sabendo que o que não coube hoje
voltará amanhã, pedindo outro poema.

Luany de Macedo Nascimento, 13/01/2026

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