No alto, a luz me toma de repente,
erguendo o mundo aos tons da claridade;
depois, a noite chega imponente,
e afunda o peito em fria imensidade.
O ciclo segue, instável, soberano,
trocando o riso pelo desalento;
sou sol e sombra no correr humano,
metade brisa, e a outra, vendaval lento.
Na mão , repousam remédios serenos,
que aplacam ventos, mas não são guarida;
são véus sutis, pitando as minhas cenas,
sem apagar da carne a velha ferida.
Sigo entre extremos, sempre repartida,
buscando centro que não se alcançará;
pois mesmo mansa, a maré desta vida
traz em seu pulso o que sempre voltará.
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