Na carne da alma o silêncio se instala,

cicatriz que não cessa de supurar,

tempo suspenso que nunca se cala,

sopro envenenado a respirar.


Nietzsche o denuncia: é moral ressentida,

potência negada, vontade inibida,

cria valores em discurso lascivo,

nega o viver, mas finge dar vida.


Freud o decifra no abismo da mente,

resto recalcado que insiste em voltar,

fantasma que ronda o eu inconsciente,

sintoma que busca um corpo a habitar.


Covarde é aquele que aponta o vizinho,

foge de si, mas acusa sem pudor,

faz do espelho um eterno caminho,

mesmo que o outro jamais tenha causado sua dor.


E assim se ergue o rancor paciente,

arquitetando muros contra si mesmo,

devora a esperança em veneno latente,

faz da angústia seu templo supremo. Luany de Macedo Nascimento


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