Em mim habita Epimeteu,
mãos velozes, gesto sem previsão,
age antes mesmo que o tempo seja seu,
acende o risco sem calcular direção.
É a vertigem viva do excesso em chama,
o mundo possível na pressa do agora,
tudo se expande, tudo se inflama,
até que a queda se imponha sem demora.
Sem nome antigo que explique o declive,
o abismo surge em súbita condição,
é o corpo que falha, a mente que vive
o peso mudo da própria implosão.
Um peso denso que apaga o dia,
onde o fogo se cala sem reação,
a vida arrasta sua melancolia,
presa à gravidade da estagnação.
No raro instante em que o tempo se equilibra,
sou Prometeu em contenção,
fogo consciente que já não delira,
aprende o limite na própria razão.
É a fase neutra, difícil medida,
não o excesso, tampouco a privação,
é o ato sutil de sustentar a vida
sem se perder na oscilação.
E quando o vazio lentamente se instala,
surge Pandora sem curiosidade,
não há desejo, nem impulso que fala,
apenas silêncio e imobilidade.
Com a caixa aberta e os ruídos cessados,
resta um fundo que insiste em ficar,
nem dor nem pulso nos gestos calados,
um quase nada difícil de nomear.
A bipolaridade é travessia instável,
um eixo em constante reorganização,
remédios passam, efeito mutável,
o corpo reaprende em adaptação.
Busca-se o equilíbrio como quem se inclina,
sobre um fio tênue de sustentação,
um passo na lucidez que se disciplina,
outro à beira da dissolução.
mãos velozes, gesto sem previsão,
age antes mesmo que o tempo seja seu,
acende o risco sem calcular direção.
o mundo possível na pressa do agora,
tudo se expande, tudo se inflama,
até que a queda se imponha sem demora.
o abismo surge em súbita condição,
é o corpo que falha, a mente que vive
o peso mudo da própria implosão.
onde o fogo se cala sem reação,
a vida arrasta sua melancolia,
presa à gravidade da estagnação.
sou Prometeu em contenção,
fogo consciente que já não delira,
aprende o limite na própria razão.
não o excesso, tampouco a privação,
é o ato sutil de sustentar a vida
sem se perder na oscilação.
surge Pandora sem curiosidade,
não há desejo, nem impulso que fala,
apenas silêncio e imobilidade.
resta um fundo que insiste em ficar,
nem dor nem pulso nos gestos calados,
um quase nada difícil de nomear.
um eixo em constante reorganização,
remédios passam, efeito mutável,
o corpo reaprende em adaptação.
sobre um fio tênue de sustentação,
um passo na lucidez que se disciplina,
outro à beira da dissolução.
0 comments:
Postar um comentário