um jeito de falar que já vem moldado,
Há quem caminhe leve entre portas abertas,
como se o chão já soubesse suas rotas certas,
enquanto outros tateiam, em trilhas incertas,
carregando ausências nas mãos quase desertas.
O gosto não é só escolha que nasce do nada,
é história encarnada, é memória guardada,
é mesa, é livro, é voz que foi ensinada,
é marca sutil que distingue a jornada.
E no jogo da vida, tão sutil quanto duro,
há regras ocultas que desenham o futuro,
uns jogam com mapas, outros no escuro,
uns têm horizonte, outros só o muro.
Há nomes que pesam sem nunca tocar,
verdades vestidas no simples falar,
o mundo se impõe sem se anunciar,
e o falso se firma no modo de olhar.
Na fala mais fina, no tom natural,
se esconde um comando sutil, desigual,
que ordena o possível, define o normal,
e chama de justo o que é desigual.
Há forças que agem sem rosto ou punho,
que moldam destinos no próprio rascunho,
fazendo do dado um acordo tacanho,
onde o dominado sustenta o estranho.
Ainda assim pulsa, sob o peso e a forma,
uma força que insiste, que rompe a norma,
pois mesmo no dado, há quem se transforma,
e reinventa o mundo que antes o conforma.
Mas quando o sentido começa a ceder,
e aquilo que era deixa de ser,
rompe-se o encanto do “deve ser”,
e o mundo se abre em outro dizer
Luany de Macedo Nascimento 14/04/2026
2 comments:
Seu poema me fez pensar em muita coisa... principalmente em como as coisas são diferentes para os mais favorecidos Excelente eu gostei muito
Olá, Ana. Fico muito feliz que meu poema tenha te tocado dessa forma. Eu acredito que a poesia tem essa força de nos fazer enxergar realidades que muitas vezes passam despercebidas. Obrigada por ler com tanta sensibilidade e por compartilhar sua reflexão aqui no blog. Um abraço!
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