Quando a tarde baixar seu véu dourado
e o tempo fizer silêncio no corredor,
quero tocar o mundo mais uma vez
com mãos ainda quentes de amor.
Se a vida me chamar para a partida,
sem alarde, sem medo, sem rumor,
peço apenas cumprir o sonho guardado:
espalhar ternura por onde eu for.
Quero rever as flores se abrindo ao dia,
ouvir dos pássaros o livre cantar,
ver ondas batendo nas rochas antigas,
sentir a brisa leve a me tocar.
Quero no peito o último alento
cheio da calma que a terra me deu,
misturado de beleza e espanto,
como quem parte após tudo o que viveu.
Se houver ainda um derradeiro instante,
quero meus pais, meu amor e minha filha,
sentir suas mãos junto às minhas mãos,
e adormecer ouvindo a voz da família.
Luany de Macedo Nascimento 27/04/2026
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