Minha alma é um túmulo em noite cerrada,
Onde o pranto é silêncio e a dor é segredo.
Sinto em mim, como noiva abandonada,
A angústia de viver... sem rumo, sem medo.

Há dias em que o mundo me pesa demais,
E os sonhos se arrastam em luto calado.
Meu riso se perde, meus olhos mortais
Só veem o vazio, tão frio, fechado.

Sou sombra do que fui, suspiro quebrado,
Poetisa sem versos, 
saudade sem nome.
O espelho me nega, o tempo, alucinado,
Apaga quem sou... me dissolve no lume.

Oh, que ânsia de noite! Que tédio profundo!
Carrego no peito um punhal que não corta.
Neste drama cruel de existir neste mundo,
A tristeza é irmã... e a esperança, tão morta.


O céu se fecha em nuvem e luz,
O lago espelha o que a alma conduz.
No banco, o tempo quase se cala,
Enquanto o coração lentamente fala.

Palmeiras dançam ao vento do sul,
E o fim de tarde pinta tudo de azul.
O olhar se perde na ponte ao fundo,
Como quem busca sentido no mundo.

O sol escorre por trás da paisagem,
Feito lembrança em lenta passagem.
Silencia em luz dourada,
Na pele um eco, na mente, mais nada.

E ali parada, entre o ontem e o agora,
A vida respira sem pressa, sem hora.
O Parque guarda, com calma e ternura,
A jovem, o instante, a sombra e a cura.


No chão rachado, o sol a brilhar,
Segue o passo firme, sem hesitar.
O vento sopra histórias do sertão,
Silêncio e sonho em cada direção.

Vestido rubro, contraste no pó,
Entre cercas tortas e um céu tão só.
A trilha guarda segredos no ar,
De um tempo antigo a sussurrar.

A serra à frente, guardiã do lugar,
Ergue-se imensa a nos inspirar.
Pedra da Boca, enigma sem voz,
Observa o mundo bem longe de nós.

Quem por ali caminha devagar,
Leva na alma o cheiro do lugar.
Araruna canta em tom de raiz,
Natureza bruta, alma feliz.


No alto da pedra, braços abertos,
Sinto o vento contar seus segredos.
A alma dança entre céus e vales,
Livre, sem medo, sem rede ou rodeios.

O mundo lá embaixo, tão pequeno,
Enquanto aqui tudo é imensidão.
Os sonhos ecoam entre montanhas,
No compasso calmo do coração.

Cabelos ao vento, cor de alvorada,
Vestem de luz minha contemplação.
Sou parte da terra, da rocha e do tempo,
Sou riso, sou brisa, sou canção.

E assim permaneço, sem pressa ou destino,
Com o horizonte a me embalar.
Porque há momentos que são eternos,
Mesmo que o tempo insista em passar.


Minha doce Nicolle, estrela a brilhar,
Com olhos tão vivos, cheios de cor,
Tua risada é um canto no ar,
Um eco divino de puro amor.

Traquina e esperta, és raio de sol,
Espoleta que só, pula sem hesitar,
No mundo danças sem medo ou anzol,
Pronta a sonhar, voar e criar.

Com lápis na mão, desenhas tudo que vê,
Colores o mundo com tons de emoção,
Cada traço teu, magia sentida,
Retrata o brilho do teu coração..

Cada abraço teu é um porto seguro,
Cada beijo, um lume que aquece meu ser,
És meu presente, meu grande futuro,
Razão mais bela de tanto viver.

Filha querida, és bênção suprema,
Minha poesia, ternura sem fim,
No teu sorriso, renasce um poema,
Que fala do amor que não tem fim.