Dez anos se passaram, e aqui estamos nós,  
Dois corações que o tempo não separou,  
Que enfrentaram ventos, tempestades e sóis,  
Mas nunca deixaram de pulsar em amor.  

Ao teu lado descobri a força do abraço,  
O refúgio seguro no meio do caos,  
O brilho sereno no instante do cansaço,  
O amor que ecoa, eterno e imortal.  

Do nosso amor nasceu um presente sublime,  
Pequena e doce, nossa menina-luz,  
Metade de mim, metade de ti,  
Razão que nos une e sempre conduz.  

E quando o mundo pesa sobre meus ombros,  
É no teu olhar que encontro meu lar,  
Te amo em cada suspiro profundo,  
Te amo sem pressa, sem medo de amar.
  
Dez anos se foram, e tantos mais virão,
Seguiremos de mãos dadas,
Entrelaçados corações,
Amo-te hoje e um pouco mais a cada manhã.



Com amor, carinho e afeto para meu querido e amado esposo Elly-Berto. 

Os dias deslizam entre caixas marcadas,
nomes difíceis, doses contadas.
Engulo promessas de alguma constância,
mas sinto na boca o gosto da ânsia.

Manhãs pesadas, engulo o silêncio,
Bupropiona e Lítio me prendem no tempo.
À noite, Sertralina apaga memórias,
Rivotril me apaga—sou sombra, sou vento.

Subo no trilho da euforia sem freio,
o mundo é meu—até ser devaneio.
Despenco no abismo sem ter quem segure,
o corpo implora, mas a alma não jura.

De olhos abertos, mas sempre fechados,
procuro um sentido entre sonhos rasgados.
A vida se arrasta num ciclo sem cor,
cansada demais pra sentir qualquer dor.

E se um dia eu jogar tudo ao chão?
Se rasgar receitas, negar prescrição?
Talvez me liberte, talvez me desfaça—
mas que diferença faz, se já sou só fumaça?