Minh’alma é pálida... é triste... é solitária...
Como um cipreste ao vento do cemitério.
Carrega o frio de uma névoa funerária
E o sonho morto de um amor etéreo.

A vida? Um livro em páginas rasgadas,
Um riso falso entre soluços vãos...
E minhas noites, longas, desmaiadas,
São como preces lançadas aos grãos.

Oh! quantas vezes, no silêncio amigo,
Senti-me a sombra do que fui outrora...
Um vulto errante, sem abrigo,
Como quem vive e lentamente chora...

Talvez, um dia, ao fim desta agonia,
Encontre paz, no túmulo, talvez.
Pois só na morte o coração alivia
A dor que a vida não matou de vez.

 

Amar é luz que brota sem medida,
É vento manso em tarde de calor,
É ter no peito a dança mais sentida,
É flor que nasce mesmo em dissabor.

É gesto simples, puro, sem vaidade,
É mão que toca sem querer possuir,
É se doar com leve intensidade,
É construir sem medo de cair.

Amar é ver no outro o próprio espelho,
E mesmo assim, querer multiplicar,
É ser abrigo, paz e ser conselho,
É caminhar sem nunca se afastar.

E quando o amor floresce em silêncio,
Sem grito ou pressa pra se revelar,
É como céu que azul se faz imenso:
É vida em paz, é dom de se entregar.