Há um silêncio que não pede socorro,
apenas ocupa.
Um cansaço que não se deita,
que aprende a morar no corpo
como um móvel antigo
do qual já não se lembra a origem.
Os dias pesam.
Não por excesso,
mas por falta de sentido.
O tempo passa em tom baixo,
sem urgência,
sem promessa.
Não é dor que sangra,
é uma ausência cheia,
um vazio povoado de restos,
de nomes que desaprendi,
de afetos que perderam a cor.
Sinto pouco.
E isso dói de um modo impronunciável.
Como se o coração tivesse descoberto
que bater menos
é uma forma de economizar a si mesmo.
Rir tornou-se memória emprestada.
Chorar exige uma força
que não encontro.
Há um incômodo manso
sentado ao meu lado,
olhando o mundo comigo,
sem comentário,
sem saída.
A solidão não entra fazendo barulho.
Ela fica.
Fica entre mim
e aquilo que um dia fui.
Fica no meio da sala,
ocupando o espaço
onde antes havia desejo.
E ainda assim respiro.
Rasa...
Cansada…
Não por coragem,
mas por inércia.
Viver, agora,
é um exercício de sustentação mínima:
manter-se em pé
com o pouco que sobra de chão,
confiar que o corpo aguenta
mais um dia
sem cair para dentro de si.
Não é vontade de partir.
É um esgotamento antigo
de continuar do mesmo modo.
Uma fadiga que não grita,
não ameaça,
apenas insiste.
Esse pensamento que se aproxima
e recua
não pede fim,
pede silêncio.
Pede outra forma de estar.
Outro jeito de existir
que não doa tanto por dentro.
É um estado-limite,
não uma escolha.
Um pedido mudo
por alguma brecha no mundo.
Por uma vida
que não precise ser sustentada
apenas pela ausência do colapso.
Luany de Macedo Nascimento