O céu se fecha em nuvem e luz,
O lago espelha o que a alma conduz.
No banco, o tempo quase se cala,
Enquanto o coração lentamente fala.

Palmeiras dançam ao vento do sul,
E o fim de tarde pinta tudo de azul.
O olhar se perde na ponte ao fundo,
Como quem busca sentido no mundo.

O sol escorre por trás da paisagem,
Feito lembrança em lenta passagem.
Silencia em luz dourada,
Na pele um eco, na mente, mais nada.

E ali parada, entre o ontem e o agora,
A vida respira sem pressa, sem hora.
O Parque guarda, com calma e ternura,
A jovem, o instante, a sombra e a cura.


No chão rachado, o sol a brilhar,
Segue o passo firme, sem hesitar.
O vento sopra histórias do sertão,
Silêncio e sonho em cada direção.

Vestido rubro, contraste no pó,
Entre cercas tortas e um céu tão só.
A trilha guarda segredos no ar,
De um tempo antigo a sussurrar.

A serra à frente, guardiã do lugar,
Ergue-se imensa a nos inspirar.
Pedra da Boca, enigma sem voz,
Observa o mundo bem longe de nós.

Quem por ali caminha devagar,
Leva na alma o cheiro do lugar.
Araruna canta em tom de raiz,
Natureza bruta, alma feliz.