Há temas que crescem no silêncio,
como ervas nas frestas do chão,
brotam lentos no tempo denso,
sem voz, sem nome, na escuridão.
A laicidade, entrelaçada ao esquecimento,
permanece à margem da atenção,
central no tecido do pensamento,
mas ausente da problematização.
Na escola, o sagrado se insinua,
como neutro a se apresentar,
como se a tradição fosse rua
única por onde caminhar.
E a pesquisa, quando silencia,
também ensina a não enxergar,
naturaliza o que fere a via
da democracia a se afirmar.
Onde faltam palavras ditas,
os conflitos vão se esconder,
outras crenças tornam-se aflitas,
sem espaço para aparecer.
A não crença vira ausência,
o diverso perde seu lugar,
e o cuidado, em falsa aparência,
faz o proselitismo avançar.
Não é falta de fundamento,
nem carência de produção,
é resistência, é deslocamento
de um nó feito de fé e poder em tensão.
Formam-se então educadores
sem instrumentos pra questionar,
com éticas frágeis, sem rumos, sem cores,
consciências que dormem sem despertar.
Pesquisar é romper o véu,
é gesto ético, ato político,
é rasgar as sombras do céu
com compromisso público e crítico.
A escola não é altar erguido,
nem espaço de imposição,
é travessia de sentido,
é chão comum em construção.
Educar é abrir caminhos,
é garantir o direito de ser,
de crer, de não crer, sozinhos,
ou juntos, livres para viver.