(Inspirado no pensador Mikhail Bakunin)


A liberdade é fio que se estende ao vento,
Quanto mais se espalha, mais ganha fundamento. 
Não há correntes quando o ser se liberta,
a sua liberdade, ao outro desperta. 

Cada passo dado em busca do ser, 
É um abraço ao próximo, a força de crescer.
A liberdade é feita de mão dada,
a minha estende a tua, em jornada.

Não é prisão a liberdade de um só, 
É chama que acende, fogo que vai eufórico,
O  grito que ecoa em todos os corações, 
Porque somos livres nas mesmas aspirações. 

Se a liberdade do outro amplia comigo, 
somos todos um, num só grito, 
Não há espaço para muros ou opressão,
a verdadeira liberdade se conquista com revolução. 


Luany de Macedo Nascimento


Nas tramas do poder dominante, 
A hegemonia sussurra em silêncio.
Não força, mas idealiza,  moldando o semblante, 
Do senso comum, calmo e tão denso.

Mas por entre brechas, nasce a ruptura, 
A contra hegemonia levanta a voz.
Questiona o discurso, revela a estrutura,
E lembra que o mundo não cabe em um "nós".

O poder que convence é o que mais perdura,
Está na escola, no templo, no lar.
Mas o ser critico com astúcia,
consegue pensar, lutar, transformar. 

Gramsci apontou: não há neutralidade, 
A cultura é campo de intensa disputa, 
Cabe ao oprimido, com coragem
romper as correntes da velha conduta. 


Luany de Macedo Nascimento

 Às vezes, ela se sente invisível,

como quem atravessa o mundo em estado translúcido,

presente sem deixar sombra,

existindo num intervalo que ninguém repara.

é como se o ar a atravessasse sem resistência,

como se o mundo a visse, mas não a enxergasse.


Ela se percebe brinquedo com defeito de fábrica,

daqueles que não passam pelo controle de qualidade da vida.

Não por quebrar com facilidade,

mas por não cumprir a função esperada.

Foi deixada de lado na prateleira do tempo,

não por falta de cor ou brilho,

mas por excesso de sensibilidade num mundo que pede rigidez.


Há dias em que ela se observa de fora,

como quem analisa uma peça fora de lugar.

Pergunta-se em que ponto falhou,

em que curva se desviou do que chamam normalidade.

Mas a resposta nunca vem clara:

talvez o erro não esteja nela,

talvez seja o molde que nunca lhe coube.


Carrega no peito um cansaço antigo,

feito de silêncios acumulados e tentativas frustradas de caber.

Ela aprendeu cedo que existir dói,

mas aprende também a calar essa dor

para não incomodar, para não pesar o ambiente.

Sorri quando pode, recolhe-se quando não aguenta,

vai sobrevivendo entre ausências e pequenos respiros.


Ainda assim, algo nela não cede.
Nem ao silêncio, nem ao esquecimento.
Ela não permanece por vitória,
permanece por teimosia. Por recusa.
Respirar já não é gesto vital, é afronta.
Quando tudo ordena a queda,
ela insiste em não desaparecer.
E talvez não haja sentido algum
além disso: continuar
como quem fere o próprio fim.


Luany de Macedo Nascimento, 15/01/2026


 Sou feita de permanências discretas.
Ardo em silêncio.
Carrego nos olhos a fadiga de quem pensou demais
e no peito a delicadeza dos que ainda sentem
mesmo quando o mundo já não promete.

Habito a fronteira entre o impulso e o recuo,
entre o desejo de partir
e a estranha fidelidade ao que dói.
Não sou heroína nem mártir:
sou apenas alguém que permaneceu
quando seria mais fácil dissolver-se.

Há em mim um cansaço antigo,
como se tivesse chegado tarde a todas as certezas
e cedo demais ao desencanto.
Aprendi que viver não é vencer,
mas sustentar o peso dos dias
sem permitir que eles me tornem rasa.

Trago afetos que não se acomodam,
amores que não pedem abrigo
e pensamentos que caminham à noite,
sem mapa, sem promessa de aurora.
Não procuro redenção,
procuro lucidez.

Se sorrio, é com cuidado.
Se amo, é com vertigem.
E quando me recolho,
não é fuga:
é respeito pela profundidade do que sou.

Sou feita de dúvidas férteis,
de uma tristeza que pensa,
de uma esperança que não se anuncia,
mas insiste.
E mesmo quando tudo em mim parece sombra,
há algo que permanece em pé
não por fé,
mas por consciência.

Não desejo eternidade.
Desejo verdade.
E sigo
não para ser vista,
mas porque existir, assim,
é o único gesto que me é possível.


 
Escrevo como quem tenta conter o rio,
mas a água não cabe na margem do papel,
há ideias demais pedindo passagem,
todas falando ao mesmo tempo dentro de mim.

Aprendo, aos poucos, que dizer tudo cansa,
não por falta de sentido,
mas por excesso de fôlego,
como quem grita verdades sem pausa.

Talvez escrever curto seja respirar,
deixar a palavra pousar antes do voo,
oferecer ao leitor um degrau,
não o abismo inteiro de uma vez.

Então sigo cortando sem me ferir,
um verso por vez, uma ideia de cada vez,
sabendo que o que não coube hoje
voltará amanhã, pedindo outro poema.

Luany de Macedo Nascimento, 13/01/2026